2.4.08

A mullher que ousa dizer "Não" ao fundamentalismo

Ayaan Hirsi Ali

Escritora somali lançou a autobiografia "Infiel" e diz que o Islã não é compatível com a modernidade ocidental, além de criar uma cultura que provoca atraso a cada geração

Por Antonio Gonçalves Filho, de O Estado de São Paulo.


No primeiro parágrafo do livro "Infiel" (Companhia das Letras, 500 págs. - R$ 49), a escritora somali Ayaan Hirsi Ali, de 38 anos, conta que nasceu num país dilacerado pela guerra e foi criada num continente “mais conhecido pelo que dá errado do que pelo que dá certo”. Para os padrões da Somália, ela deveria, se ainda fosse religiosa, erguer as mãos ao céu por ainda estar viva e sã. E conta a razão: aos 5 anos, foi torturada pela avó até decorar os nomes de todos os ancestrais, como todos os filhos de nômades do deserto, sob o risco de ir para o inferno; ainda criança, foi “purificada” mediante a ablação da genitália (a chamada 'castração feminina'); finalmente, já adulta, começou a refletir sobre a condição feminina nos países muçulmanos e, obrigada a casar contra a sua vontade, deu um jeito de pedir asilo político ao desembarcar em solo holandês a caminho do Canadá. Foi na Holanda que conheceu há quatro anos o cineasta Theo Van Gogh, com quem colaborou no roteiro do filme "Submissão", definido por ela como um curta sobre os muitos tipos de sofrimento causados às mulheres pela sujeição ao Islã.

O filme acabou decretando a morte do cineasta por um muçulmano marroquino, em 2004. Van Gogh não deu a mínima quando a esposa o alertou sobre as mensagens divulgadas pela internet que exortavam os fiéis de Alá a dar um fim em ambos. - O cineasta acabou degolado na rua pelo fanático islâmico, que ainda fincou uma faca em seu peito com uma carta destinada à escritora. Nela, o assassino condenava os “atos criminosos” cometidos pela autora somali contra o Islã. - Desde então, Ayaan vive sob proteção policial, primeiro na Holanda, onde chegou a conquistar uma cadeira no Parlamento, e agora nos EUA. De lá ela concedeu uma entrevista ao jornal "Estado de São Paulo", em que define o islamismo como “incompatível com os direitos humanos e os valores liberais”.

Estado: Você diz que a mensagem de seu livro é que o Ocidente faz mal em prolongar a dor da transição do Islã para a modernidade, alçando culturas farisaicas à estatura de um estilo de vida alternativo. O Islã é, segundo seu ponto de vista, uma ameaça ao pensamento liberal?

Ayaan: Sim. (...) O mínimo que posso dizer é que a transição do Islã para a modernidade será muito difícil, porque o fundamentalismo religioso é incompatível com os valores democráticos. Ao ameaçar quem não crê na infalibilidade do Alcorão ou do profeta Maomé, os fundamentalistas criam uma cultura que provoca retrocessos a cada geração. O inferno começa quando alguém lembra que o Alcorão foi escrito num contexto e época diferentes e os radicais o acusam de infiel, por refutar as palavras de Deus. Temos de nos livrar dessa idéia de um deus ditador, como já fizeram várias religiões, entre elas o cristianismo.

Estado: A imprensa internacional costuma dizer que você e Theo van Gogh foram longe em sua crítica ao Islã. (...) Você acha que sua defesa da igualdade feminina e a condenação do islamismo não podem atiçar um sentimento racista contra os muçulmanos?

Ayaan: Não, ao contrário. Não defendo a abolição do Islã, nem que os muçulmanos sejam expulsos dos países ocidentais, mas, neste exato momento, milhões de mulheres muçulmanas estão trancadas em casa sem o poder de escolha que eu tenho. Quando alguém me diz que a cultura islâmica está calcada em tolerância, compaixão e liberdade, penso nessas mulheres muçulmanas e como elas farão para viver num mundo moderno. O mundo islâmico está preparado para uma revolução como a do cristianismo na era moderna? Não quando a teologia islâmica proíbe qualquer discussão sobre o Alcorão. Ao admitir que o profeta é infalível, os muçulmanos instituíram uma tirania permanente, renunciando à liberdade.

Estado: No momento em que desembarcou na Holanda, você tomou contato com um sistema moral alternativo, como admite em seu livro, notando que a história filosófica e religiosa ocidentais revelam que o Ocidente progrediu depois de questionar a literabilidade da Bíblia.

Ayaan: Entendo que há a necessidade de um estado laico, distante da ingerência religiosa. (...) Pode-se imaginar outro caminho para a evolução além de dogmas religiosos. A história da humanidade, claro, não é feita apenas de progresso. Avança-se às vezes para retroceder em outras ocasiões. O Islã nos faz retroceder. Eu, pessoalmente, recuso-me a voltar ao sétimo século e sei que muitas outras pessoas nascidas em países muçulmanos dividem a mesma posição.

Estado; Alguns jornalistas americanos gostam de provocá-la dizendo que você comprou a ideologia neoconservadora do American Enterprise Institute. Há mesmo quem diga que você estaria na mesma rota de David Frum, que cunhou a expressão “eixo do mal”, depois usada por Bush. Você acredita num “eixo do mal”?

Ayaan: Primeiro, é preciso dizer que nem todos são conservadores no American Enterprise Institute. Há democratas também. Depois, é preciso lembrar que o instituto nasceu com o propósito de pensar a questão do mercado e influenciar governos, não o de ditar suas políticas externas. Se eu acredito em eixo do mal? Acredito, sim. É só analisar a ameaça das bombas atômicas no caso iraniano, prestes a ser fabricada, ou o caso da Coréia do Norte.

Estado: Você se arrepende de ter feito o filme "Submissão" com Theo van Gogh quando pensa em sua morte ou nas ameaças que você recebeu?

Ayaan: Não. Theo tampouco deu atenção às ameaças, porque preferia morrer a ver seu país transformado pelo medo. Ele dizia: “Ayaan, este é meu país, este é meu filme. Se eu não fizer 'Submissão', estarei morando num país de bárbaros, e não mais na Holanda.”

Estado: Salman Rushdie escreveu um texto que a define como a primeira refugiada da Europa desde o Holocausto, um testemunho único da fraqueza e, ao mesmo tempo, da fortaleza do Ocidente. Como você vê seu futuro e o do mundo?

Ayaan: O Islã foi fundado nos desertos árabes, dentro de uma realidade tribal que nada mais tem a ver com o mundo moderno. É duro ser uma exilada, mas não quero ser uma bandeira ou lutar contra ninguém. Digo apenas que devemos desbloquear nossas mentes. Esta é a minha contribuição para as gerações futuras.


Um trecho do livro:

“O filme que Theo e eu fizemos, “Submissão: Primeira Parte”, fala sobretudo da relação do indivíduo com Alá. No Islã, ao contrário do cristianismo ou do judaísmo, a relação do indivíduo com Deus é de submissão total, de escravo para com o senhor. Para os muçulmanos, adorar adeus significa obediência total às normas de Maomé e abstinência total de pensamentos e atos que ele declarasse proibidos pelo Alcorão. Para modernizar o Islã e adaptá-lo aos ideais contemporâneos, seria necessário dialogar com Deus e até divergir de algumas regras maometanas. Mas no Islã tal como foi concebido, discordar do profeta é uma insolência. (...) Quando comecei a escrever o roteiro do filme, decidi usar o formato de oração para criar uma espécie de diálogo com Alá. Imaginei uma mulher postada...”

21.2.08

"Igreja" Universal orquestra ações contra jornais e repórter

Por Chico Otavio e Cláudia Lamego do jornal "O Globo" e Rodrigo Vizeu de "O Globo Online"


RIO - A "'Igreja' Universal do Reino de Deus" (IURD) tenta intimidar jornalistas através de ações orquestradas na Justiça. Fiéis e pastores da seita ajuizaram cerca de 50 ações de danos morais contra o jornal "Folha de S.Paulo" e a jornalista Elvira Lobato, após publicação de reportagens, em 15 de dezembro passado, sobre o império de comunicação montado pelos "bispos" que controlam a Universal. Também contra o jornal "Extra" e seu diretor de Redação, Bruno Thys, cinco pastores da seita, de diferentes cidades do Estado do Rio, entraram com ações pedindo indenização por danos morais. Todos alegam se sentir ofendidos com reportagem sobre um fiel da Universal que danificou uma imagem de São Benedito, na Bahia.

Nos processos contra a "Folha" e Elvira, pedindo indenizações de R$ 1 mil a R$ 10 mil, os pastores e fiéis alegam que sofreram prejuízos morais com a reportagem. Como as ações foram propostas em lugares distantes - todos a mais de 200 quilômetros da capital de diferentes o estado - e apresentam até trechos iguais, Elvira desconfia de uma tentativa orquestrada de intimidação.

Segundo a reportagem de Elvira Lobato - "Universal chega aos 30 anos com império empresarial" - publicada em 15 de dezembro, a seita tem 23 emissoras de TV e 40 de rádio, além de outras 19 empresas registradas em nome de 32 integrantes da Iurd. Entre elas, há dois jornais diários, duas gráficas, quatro empresas de participações, uma agência de turismo, uma imobiliária, uma empresa de seguro de saúde e uma de táxi aéreo, a Alliance Jet.

A reportagem da "Folha de S.Paulo" diz ainda que as empresas estão registradas em nome de "bispos" ligados a Edir Macedo, fundador da seita, e muitas funcionam em endereços da Universal. Alguns "bispos" deixaram as empresas após desentendimentos com a seita ou por terem sido denunciados em escândalos.

Segundo a "Folha", a Universal é a maior proprietária de concessões de TV do país: são 23 emissoras de TV e 40 emissoras de rádio registradas em nome de pastores. A seita arrenda 36 rádios, que integram a Rede Aleluia. Segundo pesquisa feita pelo jornal, Macedo é dono de 99% das ações da TV Capital, geradora da Rede Record em Brasília; de 50% da TV Sociedade, de Belo Horizonte; de 48% da TV Record do Rio; e de 30% da Record de São José do Rio Preto (SP). O valor atual estimado da Rede Record é de R$ 2 bilhões.

"A Elvira Lobato não escreveu nada errado. O que estão fazendo com ela é uma violência, não é só uma censura, é intimidação"

A série de ações judiciais de pastores e fiéis da Universal contra a "Folha de S.Paulo" e a repórter Elvira Lobato - por causa de uma reportagem publicada em 15 de dezembro que mostrava o crescimento empresarial da seita - foi classificada por entidades e especialistas como tentativa de intimidação contra o jornal e a jornalista. Para Alberto Dines, do Observatório da Imprensa, as ações representam uma violência contra a liberdade de expressão e são uma tentativa de censura prévia:

- A Elvira Lobato cobre essa área de comunicação e telecomunicação há pelo menos há dez anos. Ela não faria nada que não fosse bem feito. Ela contou aquilo que todo mundo sabe, e não escreveu nada errado. O que estão fazendo com ela é uma violência, não é só uma censura, é intimidação. A intimidação também é crime, e é pior que censura. O que importa é condenar o fato de as pessoas da igreja serem acionadas, numa ação orquestrada. Ainda bem que esse tipo de processo já está sendo desqualificado pela Justiça - afirmou Dines.


O maior dos falsos profetas brasileiros ensina...




...E os seus discípulos demonstram que aprendem rápido:



Apesar dos escorregões no português, o autor destes vídeos disse tudo aí no final do segundo filme...

31.1.08

Espasmo obscurantista

Por Carlos Alberto Di Franco - A universidade européia sofreu um espasmo obscurantista. O papa Bento XVI, um intelectual reconhecidamente brilhante, cancelou a conferência que daria na abertura do ano letivo da Universidade La Sapienza, em Roma. Em carta encaminhada ao reitor Renato Guarini, autor do convite ao papa, 67 professores, entre os mais de 4.500 docentes daquela instituição, incitaram uma centena de alunos a se manifestarem contra a presença do papa. Bento XVI representaria um ataque ao vanguardismo e à modernidade.

Para evitar presumíveis explorações o papa adiou a sua visita à universidade, fundada pelo papa Bonifácio VIII, em 1303. O texto preparado por Bento XVI, uma fascinante viagem da filosofia em sua busca da verdade, foi lido na sua ausência e longamente aplaudido pelos presentes ao ato acadêmico.

A censura ao papa repercutiu intensamente. Políticos, intelectuais, professores, estudantes e acadêmicos, independentemente de credos e posturas ideológicas, formaram uma imensa corrente em defesa da liberdade. Cerca de 200 mil pessoas reunidas na Praça de São Pedro manifestaram sua solidariedade ao pontífice. "Nenhuma voz deveria ser silenciada em nosso país, ainda mais quando se trata do papa", disse o primeiro-ministro italiano, Romano Prodi.

O fato angariou aliados incomuns para o pontífice. Dario Fo, Prêmio Nobel de Literatura e contumaz crítico da Igreja Católica, defendeu o direito do papa de falar. "Sou contra qualquer forma de censura porque o direito à liberdade de expressão é sagrado", disse ele ao jornal La Repubblica. Para a jornalista Souad Sbai, presidente de uma associação de mulheres muçulmanas na Itália, Roma viveu "uma jornada de tristeza e vergonha porque se celebrou a afirmação de uma ideologia facciosa e arrogante".

Na verdade, o que se viu foi a apoteose da burrice, do laicismo intolerante e da mediocridade. O laicismo fundamentalista pós-moderno não é apenas uma opinião, um conjunto de idéias ou uma convicção, que se defende em legítimo e respeitoso diálogo com outras
opiniões e convicções, como é próprio da cultura e da praxe democrática. Trata-se, infelizmente, de uma "ideologia", ou seja, uma cosmovisão - um conjunto global de idéias, fechado em si mesmo -, que pretende ser a "única verdade" racional, a única digna de ser levada em consideração na cultura, na política, na legislação, na educação, etc.

A ditadura laicista não se identifica com a "laicidade", que é algo positivo e justo e consiste em reconhecer a independência e a autonomia do Estado em relação a qualquer religião ou igreja concreta, e que inclui, como dado essencial, o respeito pela liberdade privada e pública dos cultos das diversas religiões, desde que não atentem contra as leis, a ordem e moralidade pública.

Por outras palavras, o laicismo pós-moderno é um dogmatismo secular, ideologicamente totalitário e fechado em sua "verdade única", comparável - sem exagero - às demais ideologias totalitárias, como o nazismo e o comunismo. Tal como as políticas nascidas dessas ideologias das sombras, o laicismo execra - sem dar audiência ao adversário nem manter respeito por ele - os pensamentos que divergem dos seus "dogmas" e não hesita em mobilizar a "Inquisição" de setores acadêmicos para censurar - sem o menor respeito pelo diálogo - as idéias ou posições que se opõem ao seu dogmatismo.

O laicismo militante pratica o terrorismo ideológico, pelo sistema de atacar os que, no exercício do seu direito democrático, pensam e opinam de modo diferente do deles, acusando-os de serem - só por opinarem de outra maneira - intransigentes, tirânicos e reacionários (três características das quais o laicismo, na realidade, parece querer a exclusividade).

Fazem pensar no leito de Procusto, a figura mitológica grega que, em sua estalagem numa encruzilhada, obrigava os viajantes a se deitarem numa cama de ferro de determinadas dimensões: se o tamanho do hóspede fosse menor que leito, Procusto torturava-o, esticando-o até que tivesse (depois de morrer) o comprimento do leito; caso se tratasse de alguém de respeitável estatura e dimensões maiores que as do leito, reduzia-o também ao tamanho da cama (símbolo da ideologia) pelo sistema de matá-lo, decepando-lhe a cabeça ou as pernas, que sobravam.

O papa, ao contrário de Procusto e de seus atuais seguidores, disse que jamais quis impor sua fé. Declarou-se profundamente unido ao ambiente acadêmico na "busca da verdade e no diálogo franco e respeitoso". Sobra ao pontífice o que falta à minoria arrogante que esbofeteou a liberdade de expressão no coração da universidade romana.

O genuíno fenômeno ético e religioso só pode prosperar no terreno da liberdade. Na verdade, entre uma pessoa de convicções e um fanático existe uma fronteira nítida: o apreço pela liberdade. O fanático impõe, fulmina. A pessoa de convicções, ao contrário, assenta serenamente em suas idéias. Por isso, a sua convicção não a move a impor, mas a estimula a propor, a expor à livre aceitação dos outros os valores que acredita dignos de serem compartilhados.

É preciso, com urgência, desenvolver o senso crítico contra os desvios da intolerância e do fanatismo. A censura ao papa foi um golpe aos valores mais caros da civilização e da democracia.

Os 67 "mestres" da La Sapienza são a antítese da racionalidade e do espírito científico. São, de fato, paladinos de uma nova Inquisição.


Carlos Alberto Di Franco, diretor do Master em Jornalismo, professor de Ética e doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra, é diretor da Di Franco - Consultoria em Estratégia de Mídia E-mail: difranco@ceu.org.br

22.1.08

Juiz suspende sistema de cotas na Universidade Federal de Santa Catarina

“A ciência contemporânea aponta de forma unânime que o ser humano não está dividido em 'raças', não havendo critério preciso para identificar alguém como negro ou branco.” - Juiz Federal Gustavo Dias de Barcellos.

Assim o bravo juiz conseguiu suspender, por liminar, as cotas para negros e egressos de escolas públicas na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

A decisão foi fundamentada no Artigo 5º da Constituição, que determina que “todos são iguais perante a lei” e no fato de que "é impossível, no Brasil, uma identificação precisa de etnia”.

De acordo com a decisão, a reserva de cotas para negros em vestibulares é de competência privativa da União, uma vez que é a única que pode legislar sobre diretrizes e bases da educação nacional. Como as cotas na UFSC são estabelecidas por resolução interna, o juiz considerou que houve “vício de legitimidade” e que a autonomia administrativa da universidade está restrita ao próprio funcionamento, e que “não pode estabelecer direitos ou impor vedações de forma discriminatória”.

Barcellos considerou, ainda, que a ação de reservar cotas a candidatos baseada na cor da pele é chamada de positiva para os candidatos beneficiados, mas que é extremamente negativa aos demais. E questionou: “Como serão classificados aqueles filhos de negros que apresentam traços europeus ou pele clara, herança de algum antepassado distante?”...

Ele também citou o conhecido episódio em que irmãos gêmeos idênticos foram classificados um como branco e outro como negro, na Universidade de Brasília. “Sequer uma lei ordinária lograria dar validade ao sistema de cotas adotado pela UFSC, dada sua evidente inconstitucionalidade”, completou.

Quanto aos candidatos egressos de escolas públicas, ele afirma que “ainda que se reconheça um grau de objetividade bem mais elevado do que o critério étnico, tenho que tal iniciativa deveria estar amparada em lei, conforme já exposto”.

No site da UFSC, consta a informação de que a instituição irá recorrer da decisão.


(Fonte: Agência Brasil)


O meu aplauso para esse juiz. Não é que ainda tem gente que pensa, neste nosso Brasil das incoerências??

18.1.08

"Católicas pelo Direito de Decidir" ?!?!?

Quem são elas, o que fazem e onde estão

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz - Presidente do Pró-Vida de Anápolis

Em 1970, o Estado de Nova Iorque aprovou uma lei que permitia o aborto por simples solicitação da gestante ("abortion on demand") até o quinto mês da gravidez, não se exigindo sequer o domicílio em território estadual. Isso produziu uma avalanche surpreendente de gestantes provenientes de vários outros Estados americanos, principalmente dos da costa leste, à procura dos "serviços" de aborto de Nova Iorque, as quais retornavam logo em seguida para os seus Estados de origem. Essa lei foi um marco decisivo para que, em 1973, a Suprema Corte dos EUA, na célebre decisão Roe versus Wade, declarasse que o nascituro não é pessoa e que não tem direitos, impondo assim a legalidade do aborto a todo o território estadunidense.

Como a Igreja Católica se opusesse à lei abortista de Nova Iorque, três membros do grupo pró-aborto NOW ("National Organization for Women" - Organização Nacional para as Mulheres) fundaram em 1970 a organização CFFC ("Catholics For a Free Choice" - Católicas pelo Direito de Decidir). Seu primeiro ato público foi o de ridicularizar a Igreja Católica, coroando uma feminista, na escadaria da Catedral de São Patrício em Nova Iorque , com o título de papisa Joana I. A primeira sede das CFFC localizou-se em Nova Iorque , nas dependências da "Planned Parenthood Federation of América" (PPFA), a filial estadunidense da IPPF[1], e atualmente a proprietária da maior cadeia de clínicas de aborto da América do Norte.

Embora CFFC seja uma organização anticatólica, o nome "católica" é estratégico para confundir o público. O objetivo é infiltrar-se nas paróquias, nas dioceses, nas universidades católicas, nos meios de comunicação, nas casas legislativas a fim de dar a entender que é possível, ao mesmo tempo, ser católico e defender o direito ao aborto. Além do aborto, tais "católicas" defendem o uso de anticoncepcionais, o divórcio, as relações sexuais pré-matrimoniais, os atos homossexuais, o matrimônio de pessoas do mesmo sexo e todas as formas de reprodução artificial.

Quanto à liturgia, as CFFC assumem uma série de rituais e práticas da Nova Era: são devotas do ídolo feminista Sofia (a deusa Sabedoria) e compõem poesias em honra de Lúcifer. O aborto é tratado como um ato sagrado. São recitadas orações a "Deus Pai e Mãe" enquanto a mulher que está abortando é abençoada, abraçada e encorajada a salpicar pétalas de rosas. A ex-freira Diann Neu elaborou uma cerimônia pós-aborto, em que a mulher abre uma cova no jardim e deposita os restos mortais de seu bebê, dizendo: "Mãe Terra, em teu seio depositamos esse espírito".

"Ainda bem que a minha mamãe não pertence a essa organização..."


O maior obstáculo que os promotores do aborto têm encontrado no seio das Nações Unidas é a presença da Santa Sé, que é reconhecida como Observador Permanente. Em 1999, CFFC lançou a campanha See change ("mudança de sé"). O objetivo, até agora não atingido, é pressionar a ONU a fim de rebaixar o status da Santa Sé ao de simples organização não-governamental (ONG), como a própria CFFC.

Por que atacar justamente a Igreja Católica?

Francis Kissling, que foi presidente da CFFC durante anos desde 1982, explica, em uma entrevista de setembro de 2002, porque a Igreja Católica é o alvo chave: "A perspectiva católica é um bom lugar para começar, tanto em termos filosóficos, sociológicos como teológicos, porque a posição católica é a mais desenvolvida. Assim, se você puder refutar a posição católica, você refutou todas as demais. OK. Nenhum dos outros grupos religiosos realmente tem declarações tão bem definidas sobre a personalidade, quando começa a vida, fetos etc. Assim, se você derrubar a posição católica, você ganha".[2]

Financiamento

CFFC recebe vultosas doações de fundações de controle demográfico, entre elas: Fundação Ford, Fundação Sunnen, Fundação Mc Arthur e Fundação Playboy. Hoje a maior parte dos investimentos é destinada à promoção dos "direitos reprodutivos" na América Latina, ou seja, do direito ao aborto, à esterilização e à anticoncepção.

Em 1987, CFFC criou uma filial latino-americana em Montevidéu, Uruguai, com
o nome de "Católicas pelo Derecho a Decidir". Em língua espanhola foi publicado um livro sarcástico intitulado "Y Maria fue consultada para ser madre di Dios", que apresenta Nossa Senhora como símbolo do "direito de decidir" sobre a prática do aborto. Em 1993 foi criada em São Paulo a filial brasileira, com o nome "Católicas pelo Direito de Decidir" (CDD). Onde elas estão?

Recentemente, as Católicas pelo Direito de Decidir (CDD) transferiram-se para a Rua Sebastião Soares de Faria, n.º 56, 6º andar, São Paulo, isto é no mesmo prédio da sede do Regional Sul 1 da CNBB, que ocupa o 5º andar. O fato tem gerado perplexidade, uma vez que, além de usarem o nome de "católicas", elas agora compartilham o mesmo edifício usado pelos Bispos. Na verdade, o prédio não pertence à CNBB, mas à Ordem Carmelita (Província de Santo Elias). Mas a perplexidade permanece: como uma Ordem de frades católicos pode alugar um imóvel para uma organização abortista?

As CDD e a Campanha da Fraternidade 2008

Na segunda quinzena de dezembro de 2007, as livrarias católicas puseram à venda um DVD produzido pela Verbo Filmes, trazendo na capa o cartaz da Campanha da Fraternidade 2008, com o lema "Escolhe, pois, a vida", o tema "Fraternidade e defesa da vida" e o logotipo da CNBB. O que deixou os militantes pró-vida estupefatos foi a participação da Sra. Dulce Xavier, membro das CDD, no bloco IV do vídeo ("Em defesa da vida: pontos de vista"), com uma fala de cinco minutos, criticando a Igreja Católica por não aceitar a anticoncepção, e defendendo a realização do aborto pela rede hospitalar pública para preservar "a vida das mulheres". A inserção das "católicas" no vídeo tinha sido feita sem a autorização da CNBB, que, quando soube da notícia, exigiu o recolhimento dos DVDs. A Verbo Filmes fez então uma outra edição, desta vez sem a fala das CDD. No entanto, até a data da edição deste jornal, podia-se encontrar no sítio da Verbo Filmes (www.verbofilmes.org.br) a descrição do conteúdo do DVD, ainda com a participação das Católicas pelo Direito de Decidir.

É mais do que urgente que a CNBB emita uma nota oficial sobre as CDD, à semelhança do que fez a Conferência Episcopal dos Estados Unidos, conforme transcrevemos a seguir.

DECLARAÇÃO DA CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS CATÓLICOS DOS ESTADOS UNIDOS (NCCB), de 10/05/2000

Por muitos anos, um grupo autodenominado "Católicas pelo Direito de Decidir"
(Catholics for a Free Choice - CFFC), tem publicamente defendido o aborto ao mesmo tempo em que diz estar falando como uma autêntica voz católica. Esta
declaração é falsa. De fato, a atividade do grupo é direcionada para rejeitar e distorcer o ensinamento católico sobre o respeito e a proteção devida à defesa da vida humana do nascituro indefeso.

Em algumas ocasiões a Conferência Nacional dos Bispos Católicos (NCCB) declarou publicamente que a CFFC não é uma organização católica, não fala pela Igreja Católica, e de fato promove posições contrárias ao magistério da Igreja conforme pronunciado pela Santa Sé e pela NCCB. CFFC é, praticamente falando, um braço do "lobby" do aborto nos Estados Unidos e através do mundo. É um grupo de pressão dedicado a apoiar o aborto. É financiado por algumas poderosas e ricas fundações privadas, principalmente americanas, para promover o aborto como um método de controle de população. Esta posição é contrária à política existente nas Nações Unidas e às leis e políticas da maioria das nações do mundo.

Em sua última campanha, CFFC assumiu um esforço concentrado de opinião pública para acabar com a presença oficial e silenciar a voz moral da Santa Sé nas Nações Unidas como um Observador Permanente. A campanha de opinião pública tem ridicularizado a Santa Sé com uma linguagem que lembra outros episódios de fanatismo anticatólico que a Igreja Católica sofreu no passado.

Como os Bispos Católicos dos Estados Unidos têm afirmado por muitos anos, o uso do nome "Católica" como uma plataforma de apoio à supressão da vida humana inocente e de ridicularização da Igreja é ofensivo não somente aos católicos, mas a todos que esperam honestidade e franqueza em um discurso público. Declaramos outra vez com a mais forte veemência: "Por causa de sua oposição aos direitos humanos de alguns dos mais indefesos membros da raça humana, e porque seus propósitos e atividades contradizem os ensinamentos essenciais da fé católica,... Católicas pelo Direito de Decidir não merece o reconhecimento nem o apoio como uma organização católica" (Comitê Administrativo, Conferência Nacional dos Bispos, 1993).[3]

Bibliografia consultada:
CLOWES, Brian. Mulheres católicas pelo direito de decidir. In: PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A FAMÍLIA. Lexicon: termos ambíguos e discutidos sobre família, vida e questões éticas. São Paulo: Escolas Profissionais Salesianas, 2007. p. 659-668.
HUMAN LIFE INTERNATIONAL. "Católicas pelo direito de decidir" sem máscaras: idéias sórdidas, dinheiro sujo. Tradução de Teresa Maria Freixinho.
Brasília: Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família, 2000.
SCALA, Jorge. IPPF: a multinacional da morte. Anápolis: Múltipla Gráfica, 2004. p. 227-228


Roma, 4 de janeiro de 2008.

Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz - Presidente do Pró-Vida de Anápolis - Telefax: 55+62+3321-0900 - Caixa Postal 456 - 75024-970 Anápolis GO



[1] IPPF - International Planned Pareenthood Federation (Federação Internacional de Planejamento Familiar), conhecida como "a multinacional da morte", com sede em Londres e filiais em 180 países.
[2] Kissling , Frances . Interview by Rebecca Sharpless. Audio recording, September 13- 14, 2002. Population and Reproductive Health Oral History Project, Sophia Smith Collection.
[3] Original inglês.

17.12.07

Homer Simpson, espectador padrão do Jornal Nacional

Por Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, professor da Escola de Comunicações e Artes da USP.


DE BONNER PARA HOMER - O editor-chefe considera o obtuso pai dos Simpsons como o espectador padrão do Jornal Nacional.

Perplexidade no ar. Um grupo de professores da USP está reunido em torno da mesa onde o apresentador de tevê William Bonner realiza a reunião de pauta matutina do Jornal Nacional, na quarta-feira, 23 de novembro. Alguns custam a acreditar no que vêem e ouvem. A escolha dos principais assuntos a serem transmitidos para milhões de pessoas em todo o Brasil, dali a algumas horas, é feita superficialmente, quase sem discussão.

Os professores estão lá a convite da Rede Globo para conhecer um pouco do funcionamento do Jornal Nacional e algumas das instalações da empresa no Rio de Janeiro. São nove, de diferentes faculdades e foram convidados por terem dado palestras num curso de telejornalismo promovido pela emissora juntamente com a Escola de Comunicações e Artes da USP. Chegaram ao Rio no meio da manhã, e, do aeroporto Santos Dumont, uma van os levou ao Jardim Botânico.

A conversa com o apresentador, que é também editor-chefe do jornal, começa um pouco antes da reunião de pauta, ainda de pé numa ante-sala bem suprida de doces, salgados, sucos e café. E sua primeira informação viria a se tornar referência para todas as conversas seguintes. Depois de um simpático “bom-dia”, Bonner informa sobre uma pesquisa realizada pela Globo que identificou o perfil do telespectador médio do Jornal Nacional. Constatou-se que ele tem muita dificuldade para entender notícias complexas e pouca familiaridade com siglas como "BNDES", por exemplo. Na redação do Jornal Nacional, foi apelidado de "Homer Simpson". Você, claro, conhece o obtuso personagem que adora ficar no sofá comendo rosquinhas e bebendo cerveja, preguiçoso e de raciocínio extremamente lento.

A explicação inicial seria mais do que necessária. Daí para a frente o nome mais citado pelo editor-chefe do Jornal Nacional é o do senhor Simpson: “Essa o Homer não vai entender”, diz Bonner, com convicção, antes de rifar uma reportagem que, segundo ele, "o telespectador brasileiro médio não compreenderia".

Mal-estar entre alguns professores. Dada a linha condutora dos trabalhos – "atender ao Homer" –, passa-se à reunião para discutir a pauta do dia. Na cabeceira, o editor-chefe; nas laterais, alguns jornalistas responsáveis por determinados editorias e pela produção do jornal; e na tela instalada numa das paredes, imagens das redações de Nova York, Brasília, São Paulo e Belo Horizonte, com os seus representantes. Outras cidades também suprem o JN de notícias (Pequim, Porto Alegre, Roma), mas elas não entram nessa conversa eletrônica. E, num círculo maior ainda, ao redor da mesa, os professores convidados. É a teleconferência diária, acompanhada de perto pelos visitantes.

Todos recebem, por escrito, uma breve descrição dos temas oferecidos pelas
“praças” (cidades onde se produzem reportagens para o jornal) que são analisados pelo editor-chefe. Esse resumo é transmitido logo cedo para o Rio de Janeiro, e, depois, na reunião, cada editor tenta explicar e defender as ofertas, mas eles não vão muito além do que está no papel. Ninguém contraria o chefe.

A primeira reportagem oferecida pela “praça” de Nova York trata da venda de óleo para calefação a baixo custo feita por uma empresa de petróleo da Venezuela para famílias pobres do estado de Massachusetts. O resumo da “oferta” jornalística informa que a empresa venezuelana, “que tem 14 mil postos de gasolina nos Estados Unidos, separou 45 milhões de litros de combustível” para serem “vendidos em parcerias com ONGs locais a preços 40% mais baixos do que os praticados no mercado americano”. Sem dúvida uma notícia de impacto social e político. Mas o editor-chefe do Jornal Nacional apenas pergunta se os jornalistas têm a posição do governo dos Estados Unidos antes de, rapidamente, dizer que considera a notícia "imprópria" para o jornal. E segue em frente...

Na seqüência, uma imitação do presidente Lula e da fala de um argentino, passa a defender com grande empolgação uma matéria oferecida pela “praça” de Belo Horizonte: em Contagem, um juiz estava determinando a soltura de presos por falta de condições carcerárias. A argumentação do editor-chefe é sobre o perigo de criminosos voltarem às ruas. “Esse juiz é um louco”, chega a dizer, indignado. Nenhuma palavra sobre os motivos que levaram o magistrado a tomar essa medida e, muito menos, sobre a situação dos presídios no Brasil! A defesa da matéria é em cima do medo, sentimento que se espalha pelo País e rende preciosos pontos de audiência. Sobre a greve dos peritos do INSS, que completava um mês – matéria oferecida por São Paulo – o comentário gira em torno dos prejuízos causados ao órgão. “Quantos segurados já poderiam ter voltado ao trabalho e, sem perícia, continuam onerando o INSS”, ouve-se. Sobre os grevistas? Nada.

De Brasília é oferecida uma reportagem sobre “a importância do superávit fiscal para reduzir a dívida pública”. Um dos visitantes, o professor Gilson Schwartz, observou como a argumentação da proponente obedecia aos cânones econômicos ortodoxos e ressaltou a falta de visões alternativas no noticiário global.

Encerrada a reunião, segue-se um tour pelas áreas técnica e jornalística, com a inevitável parada em torno da bancada onde o editor-chefe senta-se diariamente ao lado da esposa para falar ao Brasil. A visita inclui a passagem diante da tela do computador em que os índices de audiência chegam em tempo real. Líder eterna, a Globo pela manhã é assediada apenas pelo Chaves mexicano, transmitido pelo SBT!! Homer é burro. Homer ama TV Globo. Homer ama Chaves. Oh, tristeza... Como é difícil dizer que tenho orgulho de ser brasileiro...

No almoço, antes da sobremesa, chega o "espelho" do Jornal Nacional daquela noite (no jargão, 'espelho' é a previsão das reportagens a serem transmitidas, relacionadas pela ordem de entrada e com a respectiva duração). Nenhuma grande novidade. A matéria dos presos libertados pelo juiz de Contagem abriria o jornal. E o óleo barato do Chávez venezuelano foi para o limbo.

Diante de saborosas tortas e antes de seguirem para o Projac – o centro de produções de novelas, seriados e programas de auditório da Globo em Jacarepaguá – os professores continuam ouvindo inúmeras referências a Homer Simpson. A mesa é comprida e em torno dela notam-se alguns olhares constrangidos.

Mas não se preocupe que em 2014 a copa do mundo de futebol é no Brasil. E, afinal de contas, isso é o que mais importa, não é? Somos penta! Vamos ao hexa!! Brasil- il-il-il!!!


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20.11.07

Graças a DEUS!

Por Adriana Fernandes, do "Estado de São Paulo:

- A mobilização bem-sucedida dos setores contrários à "interrupção da gravidez" (sic), com o apoio explícito da Igreja Católica e da Pastoral da Criança, levou os delegados da 13.ª Conferência Nacional de Saúde a rejeitar ontem a proposta de apoio à legalização total do aborto no País. Os delegados da região Nordeste, que atenderam ao apelo da Igreja, foram fundamentais para a vitória antiaborto.

A decisão impôs uma derrota ao ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que defende o debate sobre a descriminalizaçã o do aborto por meio de projeto de lei. Também deve reforçar as pressões no Congresso contra projetos favoráveis à "interrupção de gravidez" (termo bonitinho...). Realizada a cada quatro anos, a conferência tem as suas deliberações usadas na formulação de políticas públicas. Atualmente, o Código Penal brasileiro permite o aborto, realizado por médico, somente em caso de estupro ou quando a mãe corre risco de morte.

A proposta de apoio à projetos de legalização do aborto foi a primeira a ser votada ontem no plenário final do encontro, que reuniu em Brasília cerca de 5 mil participantes, sendo 3.068 deles com direito a voto. A redação original da moção sobre a livre interrupção da gravidez não tinha a palavra “aborto”, mas um grupo de delegados, orientados pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, conseguiu tornar explícita a intenção com a inclusão da palavra no texto (bravo!).

A expectativa do governo era de que a proposta de apoio à descriminalizaçã o fosse aprovada no plenário final, já que 7 das 10 plenárias prévias tinham deliberado a favor da medida. Mas, entre anteontem e ontem, os setores contrários intensificaram o corpo-a-corpo e organizaram uma estratégia bem-sucedida para derrubar a proposta. “O governo fica enfraquecido na sua decisão, porque a conferência decidiu que em relação ao aborto nos próximos quatro anos a posição é essa”, comemorou Clóvis Boufleur, da Pastoral da Criança e do movimento contra a proposta. Segundo ele, a vitória só foi possível depois que a palavra “aborto” foi incluída no texto a ser votado. “Muitas pessoas não sabiam direito o que estavam votando”, disse ele, autor do recurso para incluir a palavra “aborto” na moção.

Representante do ministro Temporão no último dia do encontro, o diretor de Ações e Programas Estratégicos o Ministério da Saúde, Adson França, favorável à proposta rejeitada, criticou a decisão, classificando-a de “hipócrita”. Segundo ele, o aborto é um problema de saúde pública, que precisa ser enfrentado.

O presidente da 13.ª Conferência Nacional de Saúde, Francisco Batista Júnior, disse que o resultado da votação refletiu o trabalho de articulação e mobilização dos movimentos contrários ao aborto. Pelos seus cálculos, cerca de 70% dos delegados votaram contra a proposta. Os votos são dados pelos delegados levantando os crachás.

A diretora da Rede Nacional Feminista de Saúde, Clair Castilhos, lamentou a decisão, mas destacou que o debate vai continuar. Para ela, a decisão reflete o "fundamentalismo de setores da sociedade brasileira" (para algumas pessoas não te chamarem de 'fundamentalista', tem que aceitar tudo, até assassinato de bebês...). Nos três dias da conferência, as feministas fizeram várias manifestações em defesa do direito da mulher ao aborto (e contra qualquer direito dos bebês em suas barrigas à própria vida).


A mim, o que mais choca é a falta de ética e a desonestidade explícita dos abortistas em tentar fazer passar essa lei usando da desinformação e do cínico disfarce, omitindo a palavra "aborto" do texto. Coisa do diabo... Como se vê, uma batalha foi ganha, mas não a guerra, ainda. Não podemos baixar a guarda, porque os abortistas continuarão lutando pelo "direito" de as mulheres poderem assassinar seus filhos não nascidos à vontade, do mesmo jeito que têm o direito de cortar o cabelo ou fazer as unhas. Comemorar, mas com moderação.